Exposição "Ascensão das Cholitas"

Eduardo Leal + Galeria Manifesto

Há pouco mais de 10 anos, mulheres nativas da Bolívia – Aymara e Quechua – eram sistematicamente marginalizadas. Conhecidas como cholitas (um termo inicialmente depreciativo que os membros das comunidades indígenas reapropriaram e agora vestem com orgulho), facilmente reconhecidas pelas suas largas saias, cabelos trançados e chapéus de coco, eram proibidas, entre outras coisas, de usar alguns meios de transportes ou de entrar em espaços públicos. As oportunidades de trabalho eram poucas, com a maioria a servir as classes média e alta como empregadas domésticas ou a trabalhar como vendedoras de rua. Embora estas mulheres se tenham organizado e defendido os seus direitos desde da década de 1960, o movimento reafirmou-se com a eleição de Evo Morales, em 2006, o primeiro presidente indígena da Bolívia. Esse momento histórico assinala, também, um crescimento no orgulho de identidade entre muitas cholitas, de afirmação dos seus direitos, no espaço da sociedade boliviana.

Ao retratar os feitos destas mulheres, dão-se a conhecer as suas vitórias. Esperando assim contribuir para inspirar outras mulheres, que, na Bolívia e no mundo, sofrem diariamente com a discriminação e falta de oportunidades.

Inauguração da Exposição
Galeria Manifesto, Mercado de Matosinhos
26 de Maio às 17h30
Entrada Livre

Eduardo Leal

É um fotojornalista que se concentra nas questões sociais, ambientais e políticas da América Latina e da Ásia.
O seu trabalho é publicado pelo The Washington Post, Time, Al Jazeera America, Bloomberg, CNN, Roads & Kingdoms, The Guardian, Greenpeace Magazine, Wired, British Journal of Photography, entre outros. Desde 2016, é professor convidado na Universidade de São José em Macau, China.

Eduardo Leal no P3
Jovens fotojornalistas portugueses que estão a dar cartas lá fora

Durante dois anos, Eduardo Leal não teve casa. Tinha uma mochila (“com pouca roupa”), o computador, o material fotográfico. Viajava e trabalhava. Por alturas do Mundial do Brasil fez as contas: em sete meses, tinha estado em 60 sítios diferentes. Entretanto, estabeleceu-se em Medellín, Colômbia, e continua a correr a América do Sul, vivendo dos seus projectos fotográficos e de comissões regulares — “Washington Post”, “Time.com”, “Al Jazeera America”, “The Guardian”, “Svenska Dagbladet”, “Die Press” estão entre os clientes. O P3 apanha-o em La Paz, Bolívia, onde esteve a trabalhar num projecto sobre a emancipação das mulheres indígenas. Entretanto já regressou à Colômbia, onde está a documentar a realidade dos refugiados internos da guerra civil que em breve pode chegar ao fim. “Trabalho não me falta”, confessa o fotógrafo “freelancer” de 35 anos, que até hoje vendeu todos os projectos a que se dedicou. E só no início deste ano publicou pela primeira vez em Portugal (na revista “E” do “Expresso”).
Licenciado em Jornalismo, saiu de Portugal há 12 anos. Fez “vida de mochileiro” (“Queria dedicar-me ao fotojornalismo mas antes precisava de ver o mundo"), até que assentou em Londres, onde concluiu o mestrado em fotojornalismo documental na London College of Communication. Trabalhou com a Fundação Arpad A. Busson, que acabaria por ser o seu passaporte para a América do Sul, levando-o indirectamente a acompanhar a situação na Venezuela nos últimos anos. Os seus projectos de autor estão relacionados com o meio ambiente — é disso exemplo “Plastic Trees”, distinguido no Sony World Photography Awards e no Estação Imagem — mas também com questões de género. Faz parte da “geração do tudo ou nada”, que até pode “arriscar mais”, mas que também foi beneficiada pela facilidade em viajar e pela emergência da Internet. Há hoje, diz Eduardo Leal, “outra maneira de publicar”, algo explorado pelos fotógrafos de todo o mundo. Mas atenção: “Sempre houve talento em Portugal.”

Galeria Manifesto

Acreditamos que uma imagem pode mudar o Mundo. Que a fotografia ilumina realidades escondidas. Contribui para uma melhor compreensão do nosso planeta. Que uma imagem pode fazer-nos apaixonar, erguer os braços e lutar pelo que acreditamos.

Localizado no Mercado de Matosinhos, onde uma nova geração de criadores partilha espaço com os tradicionais vendedores de peixe e legumes, a Nomad criou o Manifesto.

Com uma programação focada na fotografia documental, queremos expor imagens que sejam rastilhos de ação. Num espaço assumidamente democrático, procuramos dar voz tanto a jovens fotógrafos como a fotojornalistas premiados.

A galeria teve já o orgulho em expor trabalhos da National Geographic, The New York Times, Visa Pour l'Image, Prémio Estação Imagem e World Press Photo.