Para Poder Voltar

um livro do Mateus Brandão
sobre as suas viagens no Transiberiano

O Transiberiano é o comboio, a viagem de comboio. Mas é mais do que isso e é impossível dissociá-lo, sobretudo, das suas cidades de partida e chegada. Muito do misticismo da viagem encontra-se na possibilidade de percorrer toda a Rússia até ao Pacífico, ou unir duas capitais tão longínquas - de nós e entre si - em apenas um comboio; de viajar dos limites da Europa ao coração da Ásia; de passear pelos irregulares paralelos da Praça Vermelha e terminar de frente para o retrato de Mao às portas da Cidade Proibida na Praça Tiananmen; de observar as cúpulas bolbosas da Catedral de São Basílio ou das muitas igrejas do Kremlin e os telhados curvos como uma cabana de bambu e ornados de dragões dos templos budistas de Pequim; de deambular pelo museu subterrâneo que é o metro de Moscovo e perder-se nas ruas e becos dos hutongs da ‘antiga’ capital chinesa; de cruzar sete fusos horários e mais de nove mil quilómetros até Vladivostok, que até à bem pouco tempo era uma das cidades proibidas da Rússia.

De Moscovo a Pequim são 7622 quilómetros. Primeiro de uma paisagem constante de pinheiros, bétulas, abetos, faias e outras espécies que compõem a floresta boreal russa; aldeias de madeira entre as grandes cidades siberianas; depois as margens do profundo lago Baykal; mais tarde a estepe mongol com os seus cavalos, rebanhos e a solidão dos gers. Segue-se a imensidão do deserto do Gobi e por fim os túneis e as montanhas que separam Pequim das planícies do norte.

Viajar a bordo do Transiberiano é uma experiência única. O comboio adopta o estatuto de casa por praticamente uma semana; um espaço multifamiliar de convívio, partilha e amizade, onde o tempo passa ao ritmo do trepidar dos carris. Lê-se, escreve-se, dorme-se, conversa-se, medita-se. A caldeira à entrada da carruagem ferve para o chá. As horas passam. Aceleram. Ao lado há famílias inteiras carregadas de bagagem como quem muda de casa, como quem muda de vida. Têm a pressa que nos falta. Improvisam-se berços para as crianças e nem o penico parece faltar. Na classe platzkart, aberta - onde concentro as minhas atenções -, sente-se o cheiro a noodles. Há uma mãe que amamenta. Dormita-se semi descobertos sob os lençóis caídos dos limites da cama... É a vida a bordo num dos mais longos comboios do mundo. 

Um livro financiado pela Bolsa de Exploração Nomad, editado pelo Manifesto

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